O clima deixou de ser apenas um detalhe na organização das férias. Ondas de calor, incêndios florestais, chuvas intensas e outros eventos extremos passaram a influenciar a escolha de destinos, a definição das datas e até a decisão de manter ou cancelar uma viagem.
O movimento aparece em uma pesquisa global divulgada pela Booking.com em abril de 2026. Entre os viajantes consultados, 74% afirmaram considerar o risco de eventos climáticos extremos ao escolher tanto o destino quanto o período da viagem. Além disso, 31% disseram ter cancelado uma viagem por causa desses riscos nos 12 meses anteriores.
A mudança também abre espaço para destinos que oferecem temperaturas mais amenas e períodos menos concorridos. Ao mesmo tempo, cidades e regiões tradicionalmente associadas ao turismo de verão precisam lidar com novas condições de operação, infraestrutura e conforto dos visitantes.

As férias são um grande investimento emocional e financeiro para a maioria de nós; pensar onde e quando ir para minimizar o risco de interrupções ou desconforto é uma parte fundamental da decisão dos viajantes. | Matthias Schmid, vice-presidente sênior de Acomodações da Booking.com
A procura por destinos mais amenos ganha força
Os dados da Booking.com ajudam a dimensionar a tendência. Na pesquisa de 2026, 25% dos participantes disseram planejar viagens para destinos mais frescos, enquanto 42% pretendiam viajar fora dos períodos tradicionais de alta temporada. Mais da metade, 55%, afirmou que determinados lugares se tornaram quentes demais para visitar na época desejada.
Os sinais também aparecem nas buscas por hospedagem. Durante o verão europeu de 2025, as pesquisas globais por acomodações na Eslovênia cresceram 29%, na Noruega, 33%, e na Finlândia, 27%, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os números mostram uma mudança de interesse, embora não comprovem, isoladamente, que o clima seja a única causa desse movimento.
A tendência é acompanhada por análises da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em relatório publicado em 2026, a instituição aponta que ondas de calor, incêndios, enchentes e tempestades alteram a atratividade e a sazonalidade dos destinos, exigindo planejamento de longo prazo para reduzir vulnerabilidades.

O impacto vai além da escolha do turista
A mudança de comportamento afeta hotéis, companhias de transporte, operadoras e negócios locais. Na mesma pesquisa da Booking.com, 40% dos estabelecimentos de hospedagem consultados disseram ter ajustado suas operações diante de riscos climáticos, enquanto 24% relataram interrupções na chegada ou na saída de hóspedes provocadas por eventos extremos.
Para os destinos, adaptar-se pode envolver rever calendários de eventos, melhorar sistemas de alerta, preparar estruturas para temperaturas elevadas e diversificar as atividades oferecidas. A gestão de água, energia, áreas verdes e mobilidade também ganha importância em locais mais expostos a condições climáticas severas.
A mudança não significa que os viajantes deixarão de procurar praias, cidades históricas ou destinos de natureza. O que os dados sugerem é que clima e conforto passaram a dividir espaço com preço, atrações e acessibilidade na decisão de viajar. Para o setor turístico, compreender esse comportamento será cada vez mais importante para manter a atratividade e reduzir riscos.