Após oito anos no setor moveleiro, Marcos Antonio criou a Casa Singular em Belo Horizonte com uma proposta de atendimento personalizado, soluções sob medida e relacionamento próximo com clientes e parceiros.

O hábito de fazer mais

Antes de abrir a própria loja, Marcos Antonio Lopes Franco Tiburcio passou anos aprendendo a olhar para o trabalho por inteiro. No caso dele, fazer bem feito nunca ficou restrito à função que ocupava. Era uma forma de aprender, entender como as coisas funcionavam e se preparar para resolver problemas.

Aos 13 anos, a separação dos pais mudou a rotina da família. A mãe passou a trabalhar longas jornadas, e a irmã mais velha assumiu boa parte dos cuidados com os irmãos. Marcos também começou a trabalhar e interrompeu os estudos.

Aos 16, deixou Santa Luzia e foi morar com a avó e alguns tios. Retomou a escola, fez cursos e, mais tarde, formou-se em Gestão e Administração. A formação ajudou, mas foi a experiência que ampliou sua visão. Em cada emprego, procurava entender não apenas sua função, mas como a empresa inteira funcionava.

“Seja para varrer um chão, pintar uma parede ou lavar uma janela, eu sempre dei o meu melhor”.

Oito anos olhando por dentro

Foi no setor de móveis que essa postura encontrou um caminho. Marcos passou oito anos em uma loja do segmento e transformou a rotina de trabalho em uma espécie de laboratório. Visitava fábricas para conhecer processos e matérias-primas e observava outras lojas para entender como funcionavam o atendimento e a operação.

Enquanto trabalhava, também mantinha outras fontes de renda. Vendeu lingerie, relógios e eletrônicos e chegou a trabalhar na empresa do cunhado. O empreendedorismo já existia, ainda que sem uma empresa própria.

O momento de virar a chave veio depois do casamento e do nascimento do filho. As prioridades mudaram, e Marcos decidiu transformar em principal fonte de renda aquilo que havia aprendido a fazer e que já gostava de verdade.

“Quando você faz algo que ama de verdade, o negócio deixa de ser apenas uma empresa. Ele passa a representar aquilo que você quer construir”. 

Quando a observação virou negócio

A Casa Singular não nasceu de uma decisão tomada de um dia para o outro. Durante seis meses, Marcos avisou à esposa que deixaria o emprego. Quando finalmente decidiu sair, ela, mesmo reconhecendo que aquele não era o melhor momento financeiro, decidiu apoiá-lo. Paula, uma funcionária que trabalhava em outra empresa, foi a segunda pessoa a abraçar o projeto e deixou o emprego para acompanhá-lo.

A proposta veio daquilo que Marcos havia observado durante os oito anos no setor: na visão dele, havia espaço para combinar atendimento, qualidade e preço justo. A esses três pontos, acrescentou outro que acabou se tornando central na operação: resolver problemas. A loja começou a funcionar antes mesmo da inauguração oficial, enquanto novos ambientes ainda eram montados. Pouco tempo depois, a loja foi assaltada e sofreu um grande prejuízo. Para se dedicar integralmente à recuperação do negócio, Marcos levou a esposa e o filho para o interior e permaneceu quase três meses longe deles, concentrado na reconstrução da empresa.

“Antes de falar para o cliente que eu não vou conseguir, eu tento resolver”.

A venda que não termina no produto

Resolver problemas passou a fazer parte também da forma como a Casa Singular conduz seus projetos. Arquitetos, designers e decoradores parceiros desenvolvem ambientes em 3D com os móveis da loja. Depois, o cliente vai ao showroom para conhecer as peças, testar produtos e definir medidas, tonalidades e tecidos.

Quando o projeto exige algo fora do padrão, Marcos recorre a fornecedores específicos. Um sofá, por exemplo, pode ser produzido em uma medida diferente da convencional quando o desenho do ambiente exige. Ele explica que cerca de 70% dos clientes chegam sem arquiteto. Nesses casos, ele e a equipe assumem uma parte maior da orientação, inclusive na escolha dos materiais.

A estrutura ainda é pequena, e Marcos continua no centro da operação. Ele calcula que a empresa envolve mais de 30 setores e participa diretamente das negociações mais difíceis, quando uma venda pode não acontecer nas condições apresentadas pelo vendedor. A estratégia é encontrar um meio-termo que funcione para o cliente e para a loja.

“Meu papel é entrar quando a venda trava e encontrar uma solução que faça sentido para o cliente e para a empresa”.

Os valores que não entram em negociação

Para Marcos, crescer sem definir limites não faria sentido. Caráter, família e respeito à equipe aparecem como regras da operação. Um cliente que desrespeita um funcionário não recebe tratamento especial por estar comprando. A cultura que ele quer construir parte da ideia de tratar as pessoas da mesma forma, independentemente da aparência ou condição.

Esse princípio também apareceu em uma situação marcante da loja. Uma cliente chegou chorando depois de ter sido maltratada em outro estabelecimento. A equipe decidiu ouvi-la, apresentar possibilidades e conduzir o atendimento sem julgamento. Ela acabou comprando e, segundo Marcos, a relação foi além da venda.

A família também passou a fazer parte da operação. A esposa, que era da área de Farmácia, hoje cuida do financeiro da empresa. O filho, de um ano e oito meses, fica sob os cuidados da irmã de Marcos e já começa a frequentar a loja para entender onde o pai trabalha.

“Eu não abro mão do respeito à minha equipe. Nenhuma venda justifica desrespeitar um funcionário”.

Uma loja que virou ponto de encontro

A proposta de relacionamento fez a Casa Singular ocupar espaços que vão além do showroom. A loja participa de mostras de móveis, recebe arquitetos parceiros para talks e coffee breaks e já foi usada como cenário para ações ligadas à moda e montagem de showroom. O objetivo, segundo Marcos, é fazer com que a relação com clientes e parceiros não termine na compra.

Para transformar uma loja nova em uma marca lembrada, Marcos aposta em algo que vai além do produto: relacionamento. A estratégia ganha peso em um setor que, apesar do tamanho, enfrenta pressão no varejo. Em 2025, a indústria brasileira de móveis e colchões somou 22.843 empresas ativas e faturou R$ 92,1 bilhões, segundo a ABIMÓVEL. Já o varejo de móveis registrou queda de 1,2% na receita, em um cenário de juros elevados e crédito mais restrito. Nesse contexto, fazer o cliente entrar pela porta é apenas uma parte do desafio.

Dentro desse contexto, Marcos aposta em uma experiência que começa antes da venda e continua depois dela. Esse relacionamento também aparece na forma como a Casa Singular pensa seus ambientes. Design, conforto, qualidade e identidade orientam a escolha das peças, enquanto o atendimento personalizado acompanha o cliente ao longo do projeto. 

“Eu quero que as pessoas se lembrem menos do que eu fiz e mais de quem eu fui na vida delas”.

O que ainda está em obra

A próxima etapa já começou dentro da própria loja. Marcos está construindo uma cozinha para receber eventos e estruturando um podcast que pretende ampliar a conversa para temas como empreendedorismo, atendimento e gestão. A ideia é usar o espaço também para compartilhar conhecimento com outros empresários.

Há ainda um projeto de plataforma de ensino voltada a quem quer empreender do zero, com lançamento previsto para fevereiro de 2027. Para o negócio, o planejamento inclui a abertura de mais duas lojas e a construção de uma marca reconhecida não apenas em Belo Horizonte ou em Minas Gerais, mas em todo o país.

O crescimento, porém, não aparece separado da ideia que acompanha Marcos desde o primeiro emprego: conhecer a operação, aprender, resolver problemas e seguir avançando. Na visão que ele apresenta para a Casa Singular, expansão e conhecimento caminham juntos.

“Meu sonho é fazer da Casa Singular uma referência no mercado, reconhecida pela qualidade, pelo preço justo e, principalmente, pelo atendimento”.

Um legado que começa no atendimento

A história de Marcos ainda está em construção, assim como os ambientes da Casa Singular. O que já aparece com clareza, porém, é a ideia que une sua trajetória profissional ao futuro do negócio: fazer bem feito, entender o problema antes de oferecer a solução e transformar cada relação em parte da construção da empresa. O legado, para ele, não está apenas no crescimento da marca, mas no que clientes, funcionários, familiares e parceiros levarão dessa experiência.

@casasingular.cs