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Colesterol genético: o fator de risco cardíaco que pode passar despercebido
Saúde
02.11.2026

Colesterol genético: o fator de risco cardíaco que pode passar despercebido

A lipoproteína(a) é pouco conhecida, tem forte influência hereditária e pode ajudar a explicar casos de doenças cardiovasculares em pessoas sem alterações aparentes nos exames tradicionais.

Nem todo risco cardiovascular aparece nos exames mais conhecidos. A lipoproteína(a), ou Lp(a), é uma partícula semelhante ao colesterol LDL, mas cuja concentração no sangue é determinada principalmente pela genética. Por isso, uma pessoa pode manter alimentação equilibrada, praticar atividade física e apresentar níveis controlados de colesterol tradicional, mas ainda ter um fator hereditário associado ao risco de doenças cardiovasculares.

O assunto voltou ao centro das discussões médicas em 2 de novembro, depois que a farmacêutica Novartis informou que seu medicamento experimental pelacarsen não atingiu o objetivo principal de um estudo clínico de fase 3. Embora tenha reduzido em aproximadamente 80% os níveis de Lp(a), a substância não demonstrou redução estatisticamente significativa no conjunto de eventos cardiovasculares avaliados, que incluía morte, infarto, AVC e procedimentos para restabelecer o fluxo sanguíneo. Reuters

A notícia não significa que a Lp(a) deixou de ser relevante. Pelo contrário: o resultado evidencia que reduzir um marcador biológico não garante, automaticamente, a diminuição de eventos clínicos. A discussão agora se concentra em compreender melhor os dados do estudo e identificar quais pacientes podem se beneficiar de futuras terapias.

Se não houver nenhum sinal de benefício, isso realmente diminuirá o entusiasmo por essa área de pesquisa. | Dr. Parag Joshi, cardiologista do UT Southwestern Medical Center, em Dallas, e investigador do estudo clínico

Um risco que pode estar escondido no histórico familiar

Estima-se que aproximadamente uma em cada cinco pessoas tenha predisposição genética para produzir níveis elevados de Lp(a), embora a concentração varie entre indivíduos. Diferentemente do LDL, esse marcador não costuma ser significativamente alterado por dieta, exercícios ou mudanças de estilo de vida.

A influência hereditária faz com que o histórico familiar ganhe importância. Casos de infarto ou AVC em idade relativamente precoce entre pais, irmãos e outros parentes próximos podem justificar uma investigação mais detalhada do risco cardiovascular.

A American Heart Association e o American College of Cardiology passaram a recomendar a medição da Lp(a) pelo menos uma vez na vida adulta, conforme as diretrizes citadas pela Reuters. O exame é feito por meio de coleta de sangue e pode ajudar a complementar a avaliação clínica

O que muda na prevenção

A identificação de níveis elevados não significa que a pessoa desenvolverá uma doença cardiovascular. O resultado precisa ser interpretado junto com outros fatores, como pressão arterial, colesterol LDL, diabetes, tabagismo e histórico familiar.

Mesmo sem uma terapia específica aprovada que tenha comprovado redução de eventos por meio da diminuição da Lp(a), controlar os fatores modificáveis continua sendo fundamental. O acompanhamento médico pode incluir estratégias para reduzir o LDL e tratar outras condições que elevam o risco cardiovascular.

O tema mostra como a prevenção está avançando para além dos exames tradicionais. Conhecer a predisposição genética permite uma avaliação mais completa, mas o resultado precisa ser transformado em orientação clínica individualizada. O próximo passo da pesquisa será esclarecer se a redução da Lp(a), em determinados grupos e condições, pode efetivamente evitar infartos e outros eventos.

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