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Preço, qualidade e consumo consciente levam consumidores aos brechós
Life
16.10.2026

Preço, qualidade e consumo consciente levam consumidores aos brechós

Pesquisa do Sebrae-SP mostra as principais motivações para comprar roupas usadas, enquanto dados internacionais apontam expansão do mercado de revenda.

Comprar uma roupa usada deixou de ser uma decisão explicada apenas pela necessidade de gastar menos. Entre os consumidores de brechós ouvidos pelo Sebrae-SP, o preço mais baixo aparece como principal motivação, citado por 71%. Qualidade dos produtos, com 45%, e sustentabilidade associada ao consumo consciente, com 43%, também influenciam a escolha.

O levantamento ouviu 400 consumidores de brechós em São Paulo, entre abril e maio de 2025. No estado, o Sebrae-SP contabiliza 7.348 pequenos negócios no varejo de produtos usados, dos quais 5.211, ou 71%, são microempreendedores individuais. Os clientes gastam, em média, de R$ 50 a R$ 100 por compra, e 32% dos entrevistados disseram comprar nesses estabelecimentos a cada dois meses.

A mudança também aparece em uma pesquisa nacional sobre hábitos de moda realizada pela Globo com mil pessoas, em agosto de 2025. O estudo identificou que 81% valorizam o consumo consciente de moda e que 42% evitam comprar roupas, calçados e acessórios com frequência para reduzir o uso de recursos naturais e a geração de resíduos. Esses números não significam que todos adotem a segunda mão, mas ajudam a contextualizar o interesse por formas alternativas de consumo.

O consumo mais sustentável e consciente é uma tendência global. | Carol Fabris Ferreira, coordenadora de Pesquisas do Sebrae-SP

A roupa usada assume novos significados

O preço ajuda a explicar a procura, mas não resume o comportamento. Encontrar uma peça diferente, procurar modelos que já não estão nas lojas tradicionais ou construir um estilo próprio também pode fazer parte da experiência. Para alguns consumidores, a revenda abre acesso a itens que seriam menos viáveis no varejo convencional.

A circulação das peças também envolve quem vende. Na pesquisa de moda da Globo, 56% dos integrantes da Geração Z que vendem roupas usadas apontaram a renda extra como motivação, enquanto 50% disseram querer diminuir o volume de itens acumulados. O comportamento conecta compra, desapego e revenda, prolongando a vida útil de produtos que poderiam permanecer sem uso no armário.

O movimento tem dimensão internacional. O Resale Report 2026, produzido pela ThredUp com análise da GlobalData, projeta que o mercado global de roupas de segunda mão alcance US$ 393 bilhões até 2030, com crescimento duas vezes mais rápido do que o mercado de vestuário como um todo. A estimativa é global e não deve ser interpretada como uma previsão exclusiva para o Brasil.

A escolha depende de confiança e uso real

A compra de segunda mão ainda enfrenta barreiras culturais. A pesquisa da Globo identifica a preferência por peças novas como o principal obstáculo à compra em brechós e canais de revenda. Isso mostra que mudar o hábito envolve mais do que comunicar vantagens financeiras ou ambientais: a condição da peça, a confiança na procedência e a experiência de compra também importam.

Para o consumidor, observar costuras, zíperes, manchas, desgaste e medidas ajuda a avaliar se o preço compensa. Em compras digitais, vale conferir as fotos, ler a descrição com atenção e verificar as regras de troca antes de concluir o pedido.

O avanço da revenda indica uma relação mais flexível com a ideia de novidade. Uma peça não precisa sair de uma loja tradicional para ter valor, desde que atenda às expectativas de qualidade, estilo e preço. O desafio é fazer com que comprar usado represente uma escolha coerente com as necessidades do consumidor, e não apenas mais uma forma de acumular roupas.

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