Em 2013, Karine Lago começou a publicar vídeos no YouTube para ajudar colegas de trabalho que tinham dificuldades com Excel. A iniciativa não nasceu como um projeto empresarial: era uma forma de compartilhar conhecimento e facilitar tarefas do cotidiano profissional. A audiência começou a crescer quando pessoas de outras empresas encontraram as aulas, passaram a acompanhar os conteúdos e pediram novos temas.
O canal evoluiu junto com as necessidades do mercado. Karine ampliou as aulas para análise de dados, Power BI e, mais recentemente, ferramentas de inteligência artificial aplicadas ao trabalho. A experiência de ensinar temas técnicos a uma audiência crescente ajudou a construir uma reputação que ultrapassou o YouTube e chegou ao ambiente empresarial.
Em 2026, a Etek, escola de tecnologia fundada por Karine, apresentava a profissional como reconhecida 11 vezes pela Microsoft. A instituição também informava ter mais de 35 mil profissionais formados, mais de 300 empresas atendidas e um canal com mais de 540 mil inscritos. Os números são dados institucionais divulgados pela própria escola.

Esse projeto começou em 2013, com o objetivo de ajudar algumas pessoas da empresa em que eu trabalhava no Excel. Acabou que, de forma inesperada, outros começaram a ver, gostaram e pediram mais. | Karine Lago, em publicação sobre o início de seu canal no YouTube
Ensinar tecnologia se tornou uma competência de mercado
O crescimento de Karine está relacionado a uma mudança na maneira como profissionais aprendem ferramentas tecnológicas. Vídeos explicativos permitem consultar uma função, acompanhar uma demonstração e aplicar o conteúdo a uma tarefa concreta. O formato também facilita a atualização contínua, importante em áreas nas quais softwares e recursos são modificados com frequência.
O reconhecimento da Microsoft ajuda a explicar a posição de Karine nesse ecossistema. O programa Most Valuable Professional (MVP) valoriza especialistas que compartilham conhecimento, ajudam outros usuários e contribuem para comunidades técnicas. A distinção não significa que a pessoa seja funcionária da Microsoft nem que cada conteúdo publicado seja uma certificação oficial da empresa.
Glauter Jannuzzi, então líder do programa MVP no Brasil, explicou que o prêmio busca reconhecer profissionais que ajudam a levar a tecnologia a novos horizontes e incentivam a entrada de outras pessoas no setor. A declaração reforça o papel da comunidade no desenvolvimento de habilidades digitais, especialmente quando especialistas traduzem ferramentas complexas em explicações acessíveis.

Da aula gratuita a uma escola de tecnologia
Com o amadurecimento do projeto, Karine passou a reunir formação técnica, livros, cursos e uma comunidade de aprendizagem. A Etek amplia esse modelo com trilhas em inteligência artificial, dados, Power BI, ferramentas Microsoft e automação. O público já não procura apenas uma solução pontual para uma planilha: também busca desenvolver competências para acompanhar as mudanças na rotina profissional.
A popularização da inteligência artificial aumenta a necessidade de aprender a aplicar ferramentas em tarefas reais. Saber utilizar um assistente de IA, interpretar dados ou automatizar uma atividade pode economizar tempo, mas exige capacidade de avaliar resultados, identificar erros e compreender os limites da tecnologia. O desafio educacional não se resume, portanto, a ensinar comandos: envolve desenvolver critérios para usar as ferramentas de forma produtiva.
A trajetória de Karine mostra como o compartilhamento de conhecimento pode evoluir para uma operação de educação tecnológica. O canal começou com uma necessidade concreta de colegas de trabalho, ganhou uma comunidade e se expandiu para uma escola que atende profissionais e empresas. O diferencial está em transformar conhecimento técnico em aprendizado aplicável, capaz de acompanhar a evolução das ferramentas e as necessidades de quem trabalha com elas.