O Magazine Luiza passou a vender produtos de seu estoque próprio na Shopee em 15 de outubro de 2026. A parceria inclui itens das marcas Magazine Luiza e KaBuM!, como eletrodomésticos, eletrônicos, móveis, games e produtos de informática. As mercadorias ficam disponíveis na seção Lojas Oficiais da plataforma, permitindo que o grupo alcance consumidores que já utilizam o marketplace para fazer compras.
A operação segue um modelo em que o próprio Magalu vende os produtos que mantém em estoque, em vez de apenas intermediar mercadorias de vendedores terceiros. A entrega fica a cargo da Magalog, empresa de logística do grupo. Dessa maneira, o Magazine Luiza amplia a distribuição digital sem transferir integralmente a operação logística para o marketplace.
A decisão faz parte de uma estratégia para acelerar as vendas em plataformas parceiras e ampliar o alcance do estoque próprio. A Shopee, segundo os dados divulgados na reportagem do UOL, é acessada por cerca de 90 milhões de brasileiros por mês. A parceria também permite que o Magalu participe de campanhas promocionais, transmissões ao vivo, vídeos e ações com criadores e afiliados.

Estamos agregando audiência em diferentes canais digitais para alcançar ainda mais clientes e ampliar as nossas vendas de forma acelerada e rentável. | Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza.
A disputa pelo consumidor acontece em diferentes plataformas
A parceria reflete uma mudança na estratégia do varejo digital. Em vez de depender exclusivamente de seus próprios sites e aplicativos, varejistas podem utilizar marketplaces já frequentados por milhões de consumidores para apresentar seus produtos. Isso amplia as oportunidades de descoberta e conversão, mas também exige adaptar a oferta às regras, às ferramentas comerciais e à concorrência de cada plataforma.
Holly Briedis, Michele Choi, Jess Huang e Sajal Kohli, especialistas em estratégia de varejo da McKinsey, afirmam em artigo sobre marketplaces digitais que as marcas precisam encontrar os consumidores nos canais em que eles preferem comprar e desenvolver estratégias sustentáveis para essas plataformas. Os autores destacam que o benefício de alcançar novos públicos deve ser analisado em conjunto com os custos, as margens e o possível deslocamento de vendas de outros canais.
No caso do Magalu, a operação logística própria é uma parte importante desse equilíbrio. A Magalog realiza as entregas e atende também clientes externos. Segundo o UOL, a empresa registrou mais de R$ 3 bilhões em receita em 2025. O controle da entrega permite ao grupo manter uma competência operacional dentro da parceria, ainda que a venda aconteça em uma plataforma de terceiros.

Mais alcance precisa se converter em rentabilidade
O acordo também abre acesso às ferramentas de social commerce da Shopee, como vídeos, transmissões ao vivo e a rede de criadores de conteúdo e afiliados. Esses formatos podem aproximar demonstração de produto e compra, mas seu resultado depende da capacidade de converter visualizações em pedidos com margem adequada.
A parceria não é exclusiva e se soma a outros movimentos do Magalu para vender em marketplaces de terceiros. Essa estratégia permite explorar audiências distintas, mas exige controlar a experiência do cliente, os preços, os prazos de entrega e os custos associados a cada canal. O novo canal já está em funcionamento, porém a empresa ainda não divulgou resultados de vendas específicos da operação na Shopee.
Para o Magazine Luiza, o desafio é usar a audiência da Shopee sem comprometer a rentabilidade ou enfraquecer seus próprios canais. O modelo combina distribuição, comércio digital e logística, mostrando que competir no varejo atual também significa saber colaborar com plataformas que já concentram a atenção do consumidor. A expansão só terá valor duradouro quando o alcance adicional se transformar em vendas rentáveis, entregas eficientes e uma boa experiência de compra.