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Conseguir emprego ainda parece difícil, mas o otimismo cresce
Economia
15.10.2026

Conseguir emprego ainda parece difícil, mas o otimismo cresce

Pesquisa da FGV IBRE mostra que 58,8% consideram difícil conseguir trabalho no Brasil, enquanto 30,1% esperam melhora nos próximos seis meses.

A percepção sobre o mercado de trabalho nem sempre acompanha o mesmo ritmo dos indicadores econômicos. Mesmo quando há sinais positivos em algumas áreas, conseguir uma oportunidade pode continuar parecendo difícil para quem procura emprego, muda de carreira ou tenta voltar ao mercado.

A décima sexta edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho, da Sondagem de Mercado de Trabalho da FGV IBRE, referente ao trimestre encerrado em setembro de 2026, mostra que 58,8% dos entrevistados consideram difícil ou muito difícil conseguir trabalho no país. O índice ficou 1,4 ponto percentual acima do registrado no mesmo período de 2025.

Ao mesmo tempo, as expectativas para os meses seguintes melhoraram. A parcela que acredita ser fácil conseguir emprego subiu para 23,1%, avanço de 3,1 pontos percentuais em um ano. Outros 30,1% esperam melhora nas condições do mercado nos seis meses seguintes, enquanto 38,6% projetam estabilidade.

Os respondentes indicam uma piora marginal na avaliação do momento presente, mas melhoraram suas expectativas em relação aos próximos meses. | Rodolpho Tobler, economista da FGV IBRE

O presente e o futuro são avaliados de maneiras diferentes

A pesquisa mostra que a percepção sobre a situação atual e a expectativa para os meses seguintes não se movem necessariamente na mesma direção. Uma pessoa pode avaliar como difícil encontrar trabalho hoje e, ao mesmo tempo, acreditar que as condições podem melhorar adiante.

Esse contraste importa porque a sensação de segurança profissional influencia decisões cotidianas. A forma como alguém avalia suas possibilidades pode afetar o planejamento financeiro, a disposição para buscar novas vagas ou a decisão de investir em formação, embora o estudo não meça diretamente esses comportamentos.

Os dados também ajudam a separar a experiência individual da percepção geral do mercado. A avaliação expressa pelos participantes não corresponde à taxa oficial de desemprego, que é calculada pelo IBGE a partir de critérios estatísticos próprios.

O que a pesquisa mede

Os Indicadores de Qualidade do Trabalho fazem parte da Sondagem de Mercado de Trabalho da FGV IBRE. A série acompanha seis dimensões da experiência profissional, entre elas satisfação com o trabalho, percepção de risco de perda de renda, proteção social, suficiência da renda e expectativas sobre o mercado.

Os resultados divulgados em outubro utilizam médias móveis trimestrais e se referem ao período encerrado em setembro. A série foi iniciada em julho de 2025, por isso ainda não permite comparações históricas amplas sobre todos os níveis dos indicadores.

Essa limitação é relevante para interpretar a evolução da percepção. Uma variação de um ano pode revelar mudanças recentes, mas não é suficiente para estabelecer um padrão de longo prazo ou explicar, sozinha, suas causas.

A confiança também interfere nas decisões econômicas

O mercado de trabalho é mais do que uma contagem de vagas. A percepção sobre as oportunidades pode afetar a confiança de quem precisa tomar decisões de renda, consumo e carreira, sobretudo quando os compromissos financeiros permanecem altos.

A pesquisa registra um quadro ambivalente: a maioria ainda considera difícil conseguir trabalho, mas a expectativa de piora diminuiu. O grupo que espera condições piores caiu oito pontos percentuais, para 31,3%, na comparação considerada pelo levantamento.

O resultado não garante que o mercado vá melhorar nos próximos meses. Ele revela que a avaliação do presente permanece cautelosa, enquanto parte dos entrevistados vê espaço para uma recuperação. Acompanhar essas duas dimensões ajuda a entender não apenas a situação do emprego, mas também o clima de confiança que influencia as decisões econômicas das famílias.

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