Fones de ouvido acompanham diferentes momentos da rotina: viagens de ônibus, atividades físicas, jogos, chamadas profissionais e períodos de concentração. Como o som é direcionado diretamente aos ouvidos, pode ser fácil prolongar a escuta ou aumentar o volume para superar o ruído do ambiente. O problema não está no uso do acessório em si, mas na intensidade do som e no tempo de exposição.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 1 bilhão de jovens adultos estejam em risco de perda auditiva permanente e evitável devido a práticas inseguras de escuta. A exposição pode ocorrer tanto com dispositivos pessoais quanto em shows, clubes e outros ambientes de lazer. Em março de 2026, a entidade voltou a destacar que danos provocados pelo ruído podem aparecer gradualmente e passar despercebidos até interferirem na comunicação.
A dimensão do tema também aparece na pesquisa internacional Apple Hearing Study, desenvolvida pela Universidade de Michigan em parceria com a Apple e com colaboração da OMS na análise de dados. O estudo reuniu mais de 268 mil adultos nos Estados Unidos para investigar a relação entre hábitos de escuta, exposição sonora e saúde auditiva. Os pesquisadores destacaram a importância de compreender melhor os níveis de ruído enfrentados na rotina e de ampliar a prevenção.

Este estudo representa uma contribuição importante para o programa global da OMS ‘Make Listening Safe’, que busca prevenir a perda auditiva associada a longos períodos de escuta em volumes elevados. | Shelly Chadha, líder da equipe de Audição, Visão e Saúde Oral da Organização Mundial da Saúde
O risco depende do volume e da duração
O ouvido pode se recuperar de algumas alterações temporárias após exposição a sons altos, mas a repetição de episódios ou a escuta intensa e prolongada pode danificar estruturas responsáveis pela audição. Zumbido depois de um show, sensação de ouvido abafado ou dificuldade para acompanhar conversas em ambientes ruidosos são sinais que merecem atenção, sobretudo quando persistem.
A OMS usa a combinação entre intensidade e tempo para explicar a escuta segura. Como referência, a entidade indica que uma exposição média de 80 decibéis pode ser tolerada por até 40 horas por semana, enquanto a 90 decibéis o tempo de escuta segura cai para quatro horas semanais. Esses valores dependem do nível real do som e não significam que todos os fones produzam a mesma intensidade em determinada configuração.
Para reduzir a exposição, a organização recomenda manter o volume do aparelho abaixo de 60% do máximo, fazer pausas, utilizar recursos de monitoramento de som e preferir fones bem ajustados ou com cancelamento de ruído, quando isso evitar que o usuário aumente o volume em ambientes barulhentos.

Proteger a audição exige mudar pequenos hábitos
A prevenção pode começar com ajustes simples. Em deslocamentos, vale evitar elevar o volume para compensar o barulho do transporte. Durante longas chamadas de trabalho ou sessões de jogos, intervalos em ambientes silenciosos dão uma pausa na exposição. Em shows e eventos, protetores auriculares e distância das caixas de som também ajudam a reduzir o nível de ruído.
A percepção individual não é um medidor confiável. Conseguir ouvir normalmente depois de uma sessão não garante que a exposição tenha sido segura, pois os efeitos podem se acumular ao longo do tempo. Dispositivos com avisos de volume e aplicativos que acompanham os níveis sonoros podem ajudar a reconhecer hábitos de risco.
Zumbido persistente, dificuldade para entender conversas ou problemas para ouvir sons agudos justificam avaliação profissional. A perda auditiva pode ter diferentes causas, e apenas um especialista pode avaliar os sintomas e indicar exames. O objetivo da escuta segura não é abandonar música, jogos ou fones, mas preservar a audição para continuar aproveitando essas atividades ao longo da vida.