A saúde mental ganhou espaço nas discussões sobre qualidade de vida, trabalho e relações pessoais. No Brasil, essa preocupação aparece de maneira cada vez mais clara nas pesquisas de opinião, refletindo a visibilidade que o tema conquistou nos últimos anos.
O Monitor da Saúde 2026, da Ipsos, realizado em 32 países, identificou que 58% dos entrevistados brasileiros consideram a saúde mental um dos maiores problemas de saúde enfrentados pela população. Em 2025, esse percentual era de 52%. O resultado coloca o país acima da média global de 48%, ao lado da Alemanha e da Colômbia. (Fonte: Ipsos)
A preocupação varia entre grupos. No Brasil, 68% das mulheres apontam a saúde mental como um dos principais problemas de saúde, ante 47% dos homens. A diferença é de 21 pontos percentuais e indica uma percepção desigual sobre a relevância do tema, embora não represente, por si só, uma medição de diagnósticos ou de prevalência de transtornos.
O avanço da preocupação com a saúde mental mostra que o tema passou a ocupar um espaço central na percepção das pessoas sobre saúde. | Adriana Ghobril, líder de Pesquisas de Saúde da Ipsos Brasil

Reconhecer o problema não significa cuidar dele
O levantamento mostra que a importância atribuída à saúde mental nem sempre se traduz na mesma atenção dedicada ao bem-estar cotidiano. Na média global, 78% dos entrevistados consideram a saúde mental e a física igualmente importantes, mas 75% dizem pensar frequentemente na própria saúde física, ante 63% que afirmam fazer o mesmo em relação à saúde mental.
A diferença sugere uma distância entre o reconhecimento do tema e sua presença na rotina. A saúde física costuma estar associada a comportamentos visíveis, como exercícios e exames, enquanto o cuidado emocional pode ser adiado ou tratado apenas quando o sofrimento se torna difícil de administrar.
Esse contraste não significa que todos os entrevistados negligenciem a saúde mental. Ele revela uma tendência nas respostas agregadas e reforça a importância de observar como o cuidado aparece no cotidiano.

O estresse ultrapassa a vida pessoal
Na média dos 32 países pesquisados, 64% afirmaram que o estresse afetou sua vida diária pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores. Outros 61% disseram ter se sentido tão estressados que não conseguiram lidar com a situação no mesmo período.
O levantamento também indica diferenças de idade. Entre entrevistados com menos de 35 anos, 75% relataram impactos do estresse na rotina, contra aproximadamente 50% entre pessoas de 50 a 74 anos. Esses percentuais são globais e não devem ser apresentados como taxas exclusivamente brasileiras.
A prevenção precisa fazer parte da rotina
A pesquisa mostra que a preocupação com a saúde mental já ocupa posição central na percepção dos brasileiros. A próxima etapa é compreender como essa consciência pode se traduzir em acesso a informação confiável, apoio profissional e ambientes que favoreçam o bem-estar.
O tema envolve diferentes dimensões: condições de trabalho, relações sociais, segurança financeira, acesso a serviços e experiências individuais. Por isso, não há uma única resposta capaz de atender a todas as situações, e medidas preventivas precisam considerar contextos e necessidades distintas.
Os dados da Ipsos não medem diagnósticos clínicos nem demonstram as causas do aumento da preocupação. Eles mostram, porém, que a saúde mental se tornou uma prioridade percebida pela população. O desafio é fazer com que essa relevância também se reflita em condições efetivas para o cuidado contínuo.