Ir a shows, visitar museus e participar de eventos ao ar livre voltaram a ocupar espaço nos hábitos dos brasileiros. Em 2026, 88% das pessoas de 16 a 65 anos entrevistadas pelo Observatório Fundação Itaú e pelo Datafolha realizaram pelo menos uma atividade cultural presencial nos 12 meses anteriores à pesquisa. Na edição de 2025, o percentual era de 84%.
A mudança aparece em diferentes experiências. A participação em shows musicais avançou de 45% para 51%, enquanto a frequência em centros culturais passou de 26% para 32%. Museus e exposições de arte também registraram crescimento, indicando que o movimento não se concentra apenas nos grandes eventos musicais.
O interesse por sair de casa também envolve motivações que vão além do entretenimento. Conhecer novos lugares foi apontado por 48% dos participantes como motivo para frequentar atividades culturais, acima dos 40% registrados na edição anterior. Relaxar e diminuir o estresse continuou relevante, citado por 44% dos entrevistados.

Os festivais de música são experiências únicas, mas também exigem planejamento financeiro. | Rodrigo Costa, especialista da Serasa em educação financeira
O desejo de sair convive com barreiras concretas
A frequência ajuda a compreender a dimensão do hábito: 59% dos entrevistados realizam ao menos uma atividade cultural presencial por mês. Ao mesmo tempo, a cultura doméstica e digital continua integrada à rotina. Ouvir música pela internet foi mencionado por 85%, assistir a filmes em plataformas digitais por 76% e acompanhar séries on-line por 73%.
O acesso, porém, permanece condicionado pelo orçamento e pela infraestrutura disponível. Questões financeiras foram apontadas por 35% como fator que desestimula a participação presencial, seguidas por insegurança e violência, com 30%. A falta de tempo foi citada por 23%, enquanto cansaço ou desânimo apareceram em 21% das respostas.
As diferenças econômicas também são expressivas. Enquanto 97% dos entrevistados das classes A e B participaram de alguma atividade cultural presencial nos 12 meses anteriores à pesquisa, o índice foi de 82% entre as classes D e E. No cinema, a distância foi ainda maior: 63% entre A e B, contra 18% entre D e E.

A continuidade do hábito depende de acesso
Os resultados sugerem que a cultura presencial tem relevância recorrente na vida dos brasileiros, mas o crescimento da participação não significa que as oportunidades estejam igualmente distribuídas. Preço, deslocamento, segurança e oferta de espaços próximos influenciam a possibilidade de transformar o interesse em programa frequente.
Para quem organiza o orçamento doméstico, considerar o custo completo do passeio ajuda a evitar surpresas. Além do ingresso, podem entrar na conta transporte, alimentação e estacionamento. Eventos gratuitos, equipamentos culturais comunitários e programações de bairro também podem ampliar as alternativas de lazer.
O avanço registrado em 2026 mostra que as experiências culturais presenciais seguem despertando interesse. Para que esse movimento se consolide, a oferta precisa dialogar com a rotina real do público: atividades acessíveis, opções em diferentes regiões e condições que permitam a mais pessoas participar com regularidade.