O consumo de fibras ganhou espaço nas conversas sobre alimentação e bem-estar. Conhecida como fibermaxxing, a tendência incentiva a inclusão de mais alimentos ricos nesse nutriente nas refeições, com foco na saúde intestinal, na saciedade e na qualidade da dieta.
O interesse acompanha um movimento mais amplo nas buscas relacionadas à saúde. Em levantamento atualizado em outubro de 2026, a plataforma Exploding Topics registrou crescimento de 7.900% no interesse pelo termo fibremaxxing ao longo de dois anos. O indicador aponta expansão da procura pelo assunto, mas não representa, necessariamente, o comportamento de busca do público brasileiro.
A atenção ao tema tem fundamento nutricional. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) recomenda que adultos saudáveis consumam de 25 a 30 gramas de fibras por dia. O nutriente está presente em frutas, verduras, legumes, cereais integrais e leguminosas, como feijão e lentilha.

IO objetivo não deve ser atingir o máximo de fibras. | Raja M. Mohi-Ud-Din, gastroenterologista da Ascension Sacred Heart Gastroenterology
O aumento precisa acompanhar a adaptação do organismo
O principal cuidado está na velocidade da mudança. Quem passa de uma alimentação pobre em fibras para grandes quantidades em poucos dias pode apresentar gases, inchaço abdominal, cólicas e alterações no funcionamento intestinal. O desconforto não significa que as fibras sejam prejudiciais, mas pode indicar que a adaptação ocorreu rápido demais.
A orientação de especialistas é aumentar a ingestão gradualmente e manter uma hidratação adequada. Em vez de concentrar grandes quantidades de uma só vez, a pessoa pode incorporar aos poucos alimentos como aveia, feijão, frutas, sementes, verduras e grãos integrais. A variedade também ajuda a diversificar os nutrientes da alimentação.
Outro ponto é distinguir comida de produtos vendidos como atalhos nutricionais. Suplementos e alimentos industrializados enriquecidos com fibras podem ter utilidade em situações específicas, mas não substituem automaticamente uma dieta variada. A escolha deve considerar a composição do produto e as necessidades individuais.

Uma tendência que faz mais sentido fora dos extremos
A popularidade do fibermaxxing pode ajudar a recuperar a atenção sobre um nutriente frequentemente deixado em segundo plano nas conversas sobre alimentação. O desafio é transformar o interesse digital em mudanças sustentáveis, sem tratar a quantidade máxima como sinônimo de resultado melhor.
Para a maioria das pessoas, o caminho mais consistente é distribuir fontes de fibras ao longo do dia e aumentar o consumo com calma. A recomendação geral não elimina a necessidade de orientação individual, especialmente para quem tem doenças digestivas ou precisa seguir uma dieta específica.
Mais do que seguir uma meta viral, vale observar a qualidade da alimentação como um todo. O benefício não depende de um único ingrediente ou de uma rotina radical, mas da combinação de escolhas que possam ser mantidas no longo prazo.