Filmes de terror, histórias sobrenaturais e narrativas de suspense continuam despertando curiosidade porque permitem explorar emoções intensas em um ambiente controlado. O Halloween, celebrado em 31 de outubro, costuma ampliar a presença desse repertório na cultura popular. Mas a experiência de assistir a uma história assustadora não se resume a sentir medo: a psicologia investiga como diferentes tipos de ameaça, surpresa e choque influenciam a maneira como interpretamos o que vemos.
Um estudo publicado em outubro de 2026 na revista Cognition and Emotion examinou a diferença entre medo e horror. Os experimentos indicaram que descrições de danos extremos e linguagem mais gráfica aumentaram a sensação de horror mais do que a de medo. Uma explicação possível é que acontecimentos percebidos como anormais entram em conflito com nossas expectativas sobre como o mundo deveria funcionar. PsyPost – Psychology News
A pesquisa não investigou diretamente por que o público gosta de filmes de terror, nem permite concluir que todos procuram as mesmas emoções. Ela oferece, porém, uma pista sobre a forma como o cérebro interpreta situações perturbadoras e por que determinadas narrativas podem provocar choque em vez de apenas antecipação de perigo.

A reação emocional de uma pessoa a um acontecimento noticiado é influenciada pela linguagem usada para descrevê-lo. | Pamela Marie Taylor, professora assistente da Faculdade de Conectividade Global da Akita International University, no Japão.
Medo e horror não são experiências idênticas
O medo costuma estar relacionado à antecipação de uma ameaça: a possibilidade de um acidente, a aproximação de um perigo ou a sensação de que algo ruim pode acontecer. O horror, na definição investigada pelos pesquisadores, aparece com mais força quando a pessoa descobre algo que considera extremo, anormal ou difícil de conciliar com suas expectativas.
Nos experimentos, 120 adultos norte-americanos participaram de duas etapas, cada uma com 60 pessoas. Os participantes leram manchetes fictícias inspiradas em notícias e avaliaram suas reações emocionais. Descrições mais concretas e gráficas elevaram as avaliações de horror em maior proporção do que as de medo. PsyPost – Psychology News
O estudo tem limitações. A amostra foi pequena, concentrada em falantes nativos de inglês nos Estados Unidos, e os cenários envolveram relatos de danos. Os resultados não podem ser automaticamente generalizados para todas as culturas, gêneros de ficção ou experiências de entretenimento.

A linguagem também molda a experiência
O trabalho traz uma consequência para além do cinema. A escolha das palavras em notícias e publicações digitais pode alterar a percepção de um acontecimento, mesmo quando os fatos descritos são verdadeiros. Detalhes concretos podem aumentar o impacto emocional, enquanto descrições muito abstratas podem reduzir a percepção da gravidade.
Isso não significa que uma narrativa detalhada seja necessariamente manipuladora. Em jornalismo, o contexto e a relevância dos detalhes precisam ser avaliados junto com a precisão, a necessidade de informar e o cuidado para não explorar o sofrimento.
No entretenimento, a atração pelo terror também depende de preferências pessoais, contexto social e expectativa de segurança. Assistir a uma história assustadora não equivale a enfrentar uma ameaça real. A pesquisa ajuda a compreender uma parte da experiência emocional, mas ainda deixa perguntas abertas sobre o prazer, a curiosidade e as diferenças individuais que mantêm o gênero popular.
A trajetória de Eslen ilustra a expansão de um modelo de comunicação em que pesquisadores e profissionais da saúde também atuam em plataformas digitais. O alcance amplia o potencial educativo, enquanto a responsabilidade de contextualizar evidências permanece central.