O crescimento de uma audiência nas redes sociais pode representar muito mais do que visibilidade. Para Thiago Augusto, o alcance conquistado com conteúdos de tecnologia e marketing digital se tornou a base de um negócio que ensina outras pessoas a transformar presença online em fonte de renda.
Ao lado do sócio Luciano Augusto, Thiago estruturou a Jornada Top, empresa criada para ensinar pessoas comuns a produzir conteúdo, desenvolver audiência e monetizar suas redes. A trajetória começou antes da criação da marca: Thiago foi o primeiro funcionário de Luciano, em 2008, em uma empresa de treinamento digital voltada a games e programação. A sociedade entre os dois foi formalizada em 2017.
A operação ganhou escala com a construção de perfis que, juntos, ultrapassaram 20 milhões de seguidores. Segundo levantamento publicado pela Exame, a receita da Jornada Top passou de R$ 109.343 em 2023 para R$ 2 milhões em 2024, crescimento de 2.668%. O resultado levou a empresa ao segundo lugar de sua faixa no ranking Negócios em Expansão 2025, realizado pela revista em parceria com o BTG Pactual.

Nosso diferencial está em ensinar o que funciona para nós. | Thiago Augusto, em declaração publicada pela Exame
Quando a audiência passa a fazer parte do modelo de negócio
A Jornada Top combina diferentes fontes de receita. Além de cursos e mentorias, a empresa comercializa publicidade em seus canais e desenvolve ferramentas para apoiar a criação de conteúdo. A operação também planeja expandir sua atuação para Espanha e Portugal e desenvolver uma plataforma para aproximar criadores e marcas.
O modelo acompanha a expansão da chamada creator economy, mercado em que a produção de conteúdo se transforma em atividade econômica. Um levantamento da Favikon em parceria com a People2Biz, publicado pela Exame em 2025, identificou que apenas 22% dos 200 maiores influenciadores brasileiros analisados monetizavam seus conteúdos. O dado mostra que alcance e receita não caminham necessariamente juntos.
Para a consultora de negócios do Sebrae-SP Silmara Regina de Souza, a construção de uma audiência fiel depende de uma história consistente e de uma proposta de valor. A orientação reforça que a profissionalização exige planejamento, posicionamento e compreensão do público, não apenas frequência de publicações.

O desafio de transformar seguidores em receita recorrente
A experiência da Jornada Top mostra que a audiência pode funcionar como um ativo comercial quando existe uma estrutura capaz de monetizá-la. A empresa combina publicidade, produtos educacionais e serviços, reduzindo a dependência de uma única fonte de receita.
Essa diversificação também ajuda a enfrentar a instabilidade das plataformas. Mudanças nos algoritmos, alterações no alcance orgânico e novas regras de distribuição podem afetar diretamente o desempenho de quem depende exclusivamente das redes sociais.
O crescimento da empresa indica uma possibilidade de negócio dentro da economia dos criadores: deixar de tratar as redes apenas como vitrine e construir uma operação em torno do conhecimento sobre conteúdo, distribuição e relacionamento com o público.